Como é o homem com disfunção erétil que procura ajuda?

Como é o homem com disfunção erétil que procura ajuda?
"Como é o homem com disfunção erétil que procura psicoterapia sexual?" —email: oswrod@inpasex.com.br

Devido a meu trabalho em consultório com queixas sexuais, sempre recebo perguntas a respeito dos pacientes e dos problemas sexuais que apresentam.

Para responder a perguntas assim, junto a meu grupo de pesquisas, o GEPIPS, estudamos os homens que vieram ao consultório com queixas de não obter ou manter ereções penianas que permitissem um relacionamento sexual com penetração. Sim, é exatamente o problema que sempre se chamou de impotência sexual!

Estudamos as respostas de um questionário que usamos para compreender a história sexual destes homens. Este questionário permite conhecer e comparar um paciente aos outros homens.

Homens com queixa de disfunção erétil que buscam tratamento psicoterápico especializado em sexualidade consideram-se terem sido sempre curiosos com relação a sexo (65,9%) ou desenvolveram esta curiosidade após aparecimento do problema sexual (20,5%). As primeiras informações sobre sexualidade foram recebidas aos 11 anos (entre 4 e 16 anos) de idade, com amigos de mesma idade (45,4%) ou com a concepção de ter aprendido sozinho (15,5%). Sobre jogos sexuais infantis não praticaram (53,3%) ou os que praticaram consideravam normal (32,3%) os jogos de troca-troca, masturbação mutua ou em grupo na infância. Interessante é que 8,9% dos homens referiram ter participado destes jogos e que consideram estas vivências parte da causa de seus problemas sexuais. O ato sexual somente foi visto em filmes (56,9%) ou pela TV (31,8%), sendo que apenas (6,8%) viram os pais em atividades sexuais.

A masturbação iniciou-se aos 12 anos (entre 7 e 16 anos), com frequência diária (32,6%) ou de 1 a 2 vezes por semana (20,9%). Atualmente a masturbação ocorre de 2 a 3 vezes ao mês (63,7%) sem sentimentos de culpa (63,7%), embora 20,5% considere ser bom, mas que não devia fazê-lo, ou sentem–se culpados (11,4%).

Estes homens consideram que sempre foi fácil arranjar namoradas (47,8%), embora 11,4% tenham se casado com a primeira namorada.

A primeira relação sexual foi aos 17 anos (entre 8 e 27 anos), com uma amiga (32,5%), namorada (25,6%) ou prostituta (23,2%). A primeira relação sexual foi homossexual para 11,6% desta amostra. Sentiram que foi bom (50,1%) sendo que para 20%, além de ter sido bom trouxe um sentimento de realização, e para 16% foi confuso.

A razão para o encontro sexual é o prazer (55,5%) ou o desejo (53,3%) ou a atração física (39,9%).

A preocupação com a possibilidade de engravidar a parceira sexual ocorre sempre em 25,6% destes homens, ou às vezes em 18,6%.

Não contraíram doenças sexualmente transmissíveis (73,3%) ou tiveram gonorreia (15,5%).

A nudez solitária é vivida com prazer (38,7%) ou com indiferença (34,1%). Junto de outra pessoa de mesmo sexo é desconfortável (43,2%) ou indiferente (34,2%); se for uma mulher é indiferente (27,2%) ou desconfortável (22,8%), sendo excitante para 41%.

A homossexualidade feminina traz curiosidade para 34,2%, e 15,9% teme tornar-se homossexual.

O desejo sexual com para com a parceria sexual é ausente em 26,2%, ou variável (21,4%). Para outras mulheres é intenso (34,9%) ou variável (34,9%). As mamas são a parte do corpo mais atraente na parceria sexual (40,1%) secundado pelas nádegas (35,7%), embora 37,8% afirme ser ela por inteiro. A barriga é parte rejeitada da parceria sexual (36,4%).

Não se sentem satisfeitos com a parceria sexual em 47,6% os casos.

Não acham que a parceira sexual tenha problemas (47,7%), embora 40,4% considere que ela tenha algum tipo de problema sexual.

A parceria sexual mostra-se ressentida com o problema erétil (15,9%) ou é cooperativa (23,3%) ou irá ajudar a resolver o problema sexual em 22,6%.

Estes homens não consideram que sua parceira sexual seja a causa do problema que vivem (54,5%).

A última relação sexual satisfatória havia sido há uma semana (20,5%) ou há seis meses (20,5%).

Um fator cognitivo importante é o medo de não conseguir, de fracassar (67,5%). Ficam nervosos dependendo da parceira (20,9%) ou sempre (16,3%). Uma pequena porcentagem (7%) confunde excitação sexual com nervosismo, considerando este um sinal da primeira.

Os problemas psicológicos de algum tipo (57,5%) ou a preocupação de não conseguir desempenhar o sexo (62%) são considerados como causa da dificuldade sexual, além do cansaço (8,9) e o trabalho (11,1%); além disso, 15,5% não apresentam compreensões de fatores intervenientes na vida sexual.

A dificuldade com a ereção é na obtenção (41,%) ou na manutenção (41%).

A ejaculação é considerada normal quanto ao tempo para a parceira obter orgasmos (32,4%), e muito rápida para 31,1%, sendo que 23% consideram que ejaculam sempre antes da parceira poder ter orgasmos. Ejaculação ante-porta ocorre em 7,1% e em 9,5% ela acontece sem mesmo ter ereção peniana presente.

O médico urologista é o profissional de saúde que já foi procurado para tentar resolver o problema sexual (62,8%) ou um psicólogo/psiquiatra (28%).

Estes homens percebem-se muito preocupados com a vida (73,3%) ou nervosos (16,6%) ou tem períodos de tristeza (23,3%).

O uso de bebidas (23,5%) ou cigarros (20,3%) são as substâncias mais usadas por estes homens. No caso do álcool, mais 32,2% afirmam fazer uso social da bebida.

Conhecer o perfil dos homens que se queixam de problemas eréteis é uma necessidade dos profissionais de saúde que se propõe a tratar estas dificuldades sexuais.

Devemos compreender que esta amostra representa um tipo de pacientes e caracteriza aqueles homens que entendem que a dificuldade sexual se deve a questões psicológicas, por isso aceitam o tratamento psicológico.

O homem que não compreende que tem um problema sexual não procura tratamento.

O homem que sabe que tem o problema sexual tem suas dificuldades em tratar-se, tem medo, considera que tenha vergonha, sente-se incapaz de se expor e de buscar ajuda.

Os homens que buscam tratamento para o problema de ereção podem levar de 2 a 5 anos para conseguir marcar uma primeira consulta com um profissional de saúde. Muitas vezes a primeira procura é feita pela esposa que telefona e marca consulta, mesmo que o homem não consiga sequer ir para esta consulta. O homem que marca a consulta ainda terá várias desculpas para postergar esta consulta. Indicado por outro profissional de saúde a um especialista, muitos homens podem aguardar muitos meses, até um ano com o nome indicado, sem assumir a responsabilidade de mudar a vida e os problemas que vive.

As dificuldades sexuais têm tratamento e solução!

A mulher tem grande importância para facilitar que o homem resolva o problema. Tentar conversar, sempre, e exigir que o homem cuide de sua saúde facilitará que este homem se trate.

2 comentários

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2 Comentários

  • Laís
    30 de julho de 2018, 09:50

    Bom dia
    E quando o paciente com DE não tem parceira, como proceder na terapia?
    grata

    RESPONDER
    • Carla zeglio @Laís
      31 de julho de 2018, 09:41

      Olá Laís,
      Agradecemos seu contato.
      Não existe impeditivo em iniciar a terapia sem parceria. Para que ele possa ter uma boa ereção, alguns aspectos dele precisarão ser trabalhados individualmente. Então, quanto antes começar mais chances temos de desenvolver outras formas de compreensão da atividade sexual e ter uma ereção satisfatória.
      Um abraço,
      Carla Zeglio

      RESPONDER

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