As Diferenças de Preferências entre Parceiros Sexuais

As Diferenças de Preferências entre Parceiros Sexuais
“Pessoas diferentes são sempre diferentes em algo” —email: oswrod@inpasex.com.br

Esta é uma condição que muito tenho ouvido no consultório e auxiliado a superar para que os maus sentimentos não se interponham nos relacionamentos sexuais. Vamos olhar para algumas destas formas.

A circunstância de inadequação sexual do casal que mais aparece nas discussões de casais é a questão da frequência semanal/mensal das atividades, que a princípio parece ser apenas coital. Quando um casal constrói, através de conversação direcionada sobre o sexo, as práticas, as formas e expressões da sexualidade, ao longo de alguns meses desenvolverão qualidades diferenciadas de sexo que superará a discussão da quantidade de vezes, mesmo porque a quantidade deverá ser maior do que era antes de um processo de modificação desses.

Qualidade é uma questão complicada quando comparamos a discussão de quantidade. Quantidade é “fácil” de discutir: 1, 2 ou 3 vezes por semana, conta-se nos dedos. E qualidade, o que significa? É algo objetivo? Visível por fora? Ou qualidade é uma questão que existe em discussão internamente, é subjetivo e duas pessoas compreendem qualidade de modo diferente? Qualidade é o que eu gosto, diferente do que o outro gosta?

Nos casais, no momento atual, qualidade é o que a mulher define como sendo sexualmente satisfatório. Se um homem se satisfaz sexualmente tendo sexo uma ou duas vezes por dia e cada vez possa durar, no total, 3 ou 4 minutos, desde o primeiro toque nas nádegas dela, tudo o que for diferente não tem qualidade para ele…

Qual das duas opiniões é a mais verdadeira?

Nenhuma…

Num casal, a construção de uma nova realidade é o caminho para discernir a discussão de qualidade x quantidade.

O corpo de uma pessoa precisa aprender a denominar uma determinada forma de ser tocado como prazerosa. Dependendo de como o aprendizado ocorre, a preferência será por carícias físicas, táteis, mais suaves ou mais vigorosas. Assim é como cada um de nós desenvolve estas preferências por toques táteis. Isto também explica a diferença entre homens e mulheres. Homens aprendem a tocar-se com força e vigor (aliás, o termo quase sempre se refere ao masculino) e as mulheres são sempre tratadas, desde que nascem, com suavidade e passam a preferir ser tocadas de modo suave.

Adultos precisariam ser reeducados para tocar e serem tocados, mas nem sempre é assim, pois cada qual considera que o que sabe sentir é natural, biologicamente definido, portanto impossível de ser mudado.

O sexo coital antes de dormir ou ao acordar é uma discussão que também depende de se considerar a propensão das crenças individuais sobre o que é certo. Poucos casais deram-se a oportunidade de experimentar as possibilidades e então comparar qual momento do dia é melhor.

Existe uma crença que se desenvolveu ao longo dos séculos, de que “de noite” é o melhor momento para o sexo. A questão é que a noite inicia-se com o por do sol e para muitos casais a hora de dormir passa da meia noite, após longas 16 ou 18 horas de atividades, trabalho e afazeres, desconsiderando o cansaço físico e emocional.

Quando um casal está cansado com o trabalho, tenso com preocupações, as preliminares longas são as que facilitarão o corpo a se organizar para o sexo. Claro que não nos referimos ao cansaço que impede o mínimo de atividade física. Nas ocasiões de cansaço físico os corpos tendem a buscar os momentos finais o mais rápido possível para poder descansar depois.

Quando o casal está eroticamente envolvido já há horas, pensando, fantasiando, vivenciando, em sintonia e demonstrando a disposição para a atividade sexual, o sexo rápido indo direto para o coito, deverá ser satisfatório e prazeroso a ambos. O que precisamos compreender é que nestas ocasiões o sexo já começou muito tempo antes, por isso dá certo ser rápido e ir direto ao ponto.

A possibilidade de usar fantasias, permitir o espaço mental produzir e lidar com alternativas e variações sobre a expressão sexual depende das qualidades psicológicas de cada indivíduo. Existem pessoas que não consideram que a fantasia pode ou deve ser usada, e estes padrões de moral e crenças conduzem o comportamento eliminando a possibilidade de ocorrer. Para estas pessoas, produtos mentais fantasiosos causarão mal estar e conflitos se ocorrerem. Portanto terão a preferência pelo sexo que chamarão de convencional.

Sexo convencional sempre será aquele que desenvolvemos entre os 15 e 20 anos de idade, produzindo um padrão que usaremos por toda a vida. Os padrões desenvolvidos na adolescência recebem grande influência da ideologia que o grupo cultural ao redor advoga. O que é considerado mais correto e certo promove as diretrizes para o aprendizado dos padrões sexuais, que são geralmente coitais e direcionados para a reprodução no mundo ocidental, mesmo que as últimas décadas tenham lutado contra esta ideologia.

Muitas pessoas que não teriam moralmente nada contra o uso de fantasias sexuais não sabem desenvolvê-las, ou já estão envolvidas em conjunturas sociais que não lhes permite desenvolver estas qualidades.

Quando um casal tem padrões diferentes, será mais provável que tentem fantasiar num determinado período do relacionamento, mas tenderão ao convencional para manter o mesmo relacionamento, e já com a nova percepção de que as fantasias não são úteis, mesmo tendo trazido prazeres que ambos reconhecem.

A mudança de ambientes para o sexo segue os mesmo padrões psicológicos que se referem às fantasias sexuais. Um fator positivo para o envolvimento erótico fora do ambiente do quarto do casal é que ao iniciarem o contato erótico podem sentir e compreender que a penetração deverá ocorrer somente no quarto, postergando esta penetração enquanto estão no outro ambiente e podendo aproveitar a ampliação do envolvimento erótico com o prazer que sentem.

O uso de palavreados de significados sexuais não será excitante para muitas pessoas, mesmo na situação sexual. Somente será útil o uso de palavras e frases de conteúdo sexual explícito quando as pessoas envolvidas consideram este esquema parte do envolvimento sexual. Tentar sempre pode ser um caminho, mas descontinuar se a outra pessoa apontar que sente esta expressão ofensiva é muito importante!

O uso de linguagem infantilizada tem sido muito associada a momentos de intimidade. Porém este linguajar não permite que o contato sexual tenha qualidades adultas, desfavorecendo o contexto erótico em si. Além do que, palavras mais “fofas” são, no mundo público, associadas a crianças e isto não é uma boa associação sexual, não é verdade?

Todo e qualquer casal precisa construir através da expressão verbal das preferências o que o casal considerará próprio do casal, sem que isto implique em primeiramente favorecer a opinião de um ou de outro. Cada um é responsável em administrar as ansiedades e as frustrações que surjam neste debate constante par poderem auferir os prazeres que virão desta adequação sexual que favorecerá várias das preferências.

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