
Produção Científica Oficial em DST/AIDS na cidade de São Paulo (2007)
CRPSP PJ 1506/5
GEPIPS – Grupo de Estudos e Pesquisas do Instituto Paulista de Sexualidade
Monica Gonçalves de Melo
Camila Marques de Oliveira
Elaine C. Catão
Oswaldo M. Rodrigues Jr.
Diego H. Viviani
Fátima M. Protti
Introdução
A partir do ano de 2003, o Programa Municipal de DST/AIDS da Secretaria Municipal de Saúde da cidade de São Paulo,
dedica-se a publicação de um relatório destinado a apresentar as pesquisas sobre DST/AIDS realizadas na cidade. Tal
publicação acontece ao final de cada ano, recebe o nome de Inventário de Pesquisas em DST/AIDS e encontra-se disponível
no endereço www.10.prefeitura.sp.gov.br.
Objetivos
O presente estudo teve como objetivo analisar as pesquisas relatadas no V inventário datado de outubro de 2007, de
modo a especificar qual a formação profissional dos pesquisadores em questão, quais as populações estudadas e o tipo de
foco dado a cada pesquisa.
Resultados
Nototal são 37 pesquisas realizadas por 41 pesquisadores.Quanto à formação profissional dos pesquisadores, observase
que cerca de 73% pertencem à área da saúde (01 Biólogo, 01 Aux. de Enfermagem, 02 Fisioterapeutas, 3 Farmacêuticos e
Bioquímicos, 04 Nutricionistas, 04 Psicólogos, 06 enfermeiros e 09 médicos); 22% atuam na área das Ciências Sociais (01
Cientista Social, 01 Cientista Político, 01 Cientista Econômico, 02 Administradores e 04 Assistentes Sociais) e cerca de5% não
especificaram a formação profissional. No tocante ao tipo de população pesquisada tem-se: gênero feminino (06 estudos);
crianças (01 estudo); portadores de deficiência (01 estudo); população soropositiva sem especificação de sexo e idade (11
estudos); colaboradores de Serviços de Atendimento EspecializadoemDST/AIDS – SAE (07 estudos). Quanto ao tipo de foco
dos estudos tem-se: custo do tratamento (01 estudo); pesquisas documentais (05 estudos); estudo etnográfico (01 estudo);
Equipamentos de saúde – CTA(01 estudo).Vale ressaltar que não forammencionadas pesquisas como gênero masculino de
orientação heterossexual ou sobre o comportamento sexual desta população. Já para o gênero feminino, dos 06 estudos
realizados, 05 versamsobre a transmissão vertical do HIV e a maternidade.
Conclusões
Foi observado que dentre os poucos profissionais da psicologia com pesquisas sobre DST/AIDS, não houve pesquisas
nos temas: sexualidade e satisfação sexual, enquanto componentes da qualidade de vida para pessoas que vivem com
HIV/AIDS.
A Psicologia enquanto área de conhecimento e tratamento tempoucas publicações na Saúde Pública, e emespecial na área de sexualidade, a formação deste profissional ainda comresquícios deumcurrículomontado sob a ditadura militar não
prevê formação técnica e teórica para este trabalho, os profissionais que hoje estão nesta área pouco produzem, constatado
tambémquanto as especificidades na área deDST/AIDS.
Pode-se concluir que as pesquisas relacionadas a DST/AIDS primam pelo controle da
epidemia, em específico a redução da transmissão vertical, no entanto, não apresentamestudos
relacionados ao comportamento sexual dos portadores do vírus HIV, principalmente no que
tange as diferenças de gênero. É interessante destacar que a qualidade de vida de pessoas que
vivem com HIV/AIDS na cidade de São Paulo hoje é um trabalho que vem sendo desenvolvido e
tratado por organizações não governamentais, com projetos de intervenção em parte
financiados pelos programas de DST/AIDS dos Âmbitos municipal, estadual e nacional. |